As figuras de linguagem são recursos usados na fala ou na escrita para tornar mais expressiva a mensagem transmitida.
É muito importante saber identificar as diversas figuras de linguagem, porque desta forma é possível compreender melhor diferentes textos.
Compreender e saber usar figuras de estilo nos capacita a usar de forma mais eficaz a linguagem como fenômeno social e nos ajuda a vislumbrar o simbolismo de algumas conversas e obras escritas.
As figuras de linguagem podem ser subdivididas em figuras de palavras, figuras de pensamento e figuras de construção.
Figuras de Palavras
Catacrese: emprego de uma palavra no sentido figurado por não haver um termo próprio. Ex.: a perna dos óculos.
Metáfora: estabelece uma relação de semelhança ao usar um termo com significado diferente do habitual. Ex.: A menina é uma flor.
Comparação: parecida com a metáfora, a comparação é uma figura de linguagem usada para qualificar 1 característica parecida entre dois ou mais elementos. No entanto, no caso da comparação, existe uma palavra de conexão (como, parecia, tal, qual, assim, etc). Ex: "O olhar dela é como a lua, brilha maravilhosamente.".
Metonímia: substituição lógica de uma palavra por outra semelhante. Ex.: Beber um copo de vinho.
Onomatopeia: imitação de um som. Ex.: trrrimmmmm (telefone)
Perífrase: uso de uma palavra ou expressão para designar algo ou alguém. Ex.:Cidade Luz (Paris)
Sinestesia: mistura de diferentes impressões sensoriais. Ex.: o doce som da flauta
Figuras de Pensamento
Antítese: palavras de sentidos opostos. Ex.: bom/mau
Paradoxo: referente a duas idéias contraditórias em uma só frase ou pensamento. Ex: "Ainda me lembro daquele silêncio ensurdecedor."
Eufemismo: intenção de suavizar um fato ou atitude. Ex.: Foi para o céu (morreu)
Hipérbole: exagero intencional. Ex.: morto de sono
Ironia: afirmação contrária daquilo que se pensa. Ex.: É um santo! (para alguém com mau comportamento)
Prosopopeia ou Personificação: atribuição de predicativos próprios de seres animados a seres inanimados. Ex.: O sol está tímido.
Figuras de Construção
Aliteração: repetição de um determinado som nos versos ou frases. Ex: o rato roeu a roupa...
Anacoluto: alteração da construção normal da frase. Ex.: O homem, não sei o que pretendia.
Anáfora: repetição intencional de uma palavra ou expressão para reforçar o sentido. Ex.: “Noite-montanha. Noite vazia. Noite indecisa. Confusa noite.Noite à procura, mesmo sem alvo.” (Carlos Drummond de Andrade)
Elipse: omissão de um termo que pode ser identificado facilmente. Ex.: no trânsito, carros e mais carros. (há)
Pleonasmo: repetição de um termo, redundância. Ex.: subir para cima
Polissíndeto: repetição da conjunção entre os termos da oração. Ex.: “nem o céu, nem o mar, nem o brilho das estrelas”
Zeugma: omissão de um termo já expresso anteriormente. Ex: Ele gosta de Inglês; eu, (gosto) de Alemão.
(...) "Com a ponta da língua pude sentir a semente apontando sob a polpa. Varei-a. O sumo ácido inundou-me a boca. Cuspi a semente: assim queria escrever, indo ao âmago do âmago até atingir a semente resguardada lá no fundo como um feto".
(Verde lagarto amarelo)
Quarta filha do casal Durval de Azevedo Fagundes e Maria do Rosário Silva Jardim de Moura, nasce na capital paulista, em 19 de abril de 1923, Lygia de Azevedo Fagundes, na rua Barão de Tatuí. Seu pai, advogado, exerceu os cargos de delegado e promotor público em diversas cidades do interior paulista (Sertãozinho, Apiaí, Descalvado, Areias e Itatinga), razão porque a escritora passa seus primeiros anos da infância mudando-se constantemente. Acostuma-se a ouvir histórias contadas pelas pajens e por outras crianças. Em pouco tempo, começa a criar seus próprios contos e, em 1931, já alfabetizada, escreve nas últimas páginas de seus cadernos escolares as histórias que irá contar nas rodas domésticas. Como ocorreu com todos nós, as primeiras narrativas que ouviu falavam de temas aterrorizantes, com mulas-sem-cabeça, lobisomens e tempestades.
Seu pai gostava de freqüentar casas de jogos, levando Lygia consigo "para dar sorte". Diz a escritora: "Na roleta, gostava de jogar no verde. Eu, que jogo na palavra, sempre preferi o verde, ele está em toda a minha ficção. É a cor da esperança, que aprendi com meu pai."
Em 1936 seus pais se separam, mas não se desquitam.
Porão e sobrado é o primeiro livro de contos publicado pela autora, em 138, com a edição paga por seu pai. Assina apenas como Lygia Fagundes.
No ano seguinte termina o curso fundamental no Instituto de Educação Caetano de Campos, na capital paulista. Ingressa, em 1940, na Escola Superior de Educação Física, naquela cidade. Ao mesmo tempo, freqüenta o curso pré-jurídico, preparatório para a Faculdade de Direito do Largo do São Francisco.
Inicia o curso de Direito em 1941, freqüentando as rodas literárias que se reuniam em restaurantes, cafés e livrarias próximas à faculdade. Ali conhece Mário e Oswald de Andrade, Paulo Emílio Sales Gomes, entre outros, e integra a Academia de Letras da Faculdade e colabora com os jornais Arcádia e A Balança. Para se sustentar, trabalha como assistente do Departamento Agrícola do Estado de São Paulo. Nesse ano conclui o curso de Educação Física.
Praia viva, sua segunda coletânea de contos, é editada em 1944 pela Martins, de São Paulo. O ano de 1945 marca o ano de falecimento de seu pai. Atenta aos acontecimentos políticos, Lygia participa, com colegas da Faculdade, de uma passeata contra o Estado Novo.
Terminado o curso de Direito, em 1946, só três anos depois a escritora publica, pela editora Mérito, seu terceiro livro de contos, O cacto vermelho. O volume recebe o Prêmio Afonso Arinos, da Academia Brasileira de Letras.
Casa-se com o jurista Goffredo da Silva Telles Jr., seu professor na Faculdade de Direito que, na ocasião,1950, era deputado federal. Muda-se, em virtude desse fato, para o Rio de Janeiro, onde funcionava a Câmara Federal.
Com seu retorno à capital paulista, em 1952, começa a escrever seu primeiro romance, Ciranda de pedra. Na fazenda Santo Antônio, em Araras - SP, de propriedade da avó de seu marido, para onde viaja constantemente, escreve várias partes desse romance. Essa fazenda ficou famosa na década de 20, pois lá reuniam-se os escritores e artistas que participaram do movimento modernista, tais como Mário e Oswald de Andrade, Tarsila do Amaral, Anita Mafaldi e Heitor Villa-Lobos.
Maria do Rosário, sua mãe, falece em 1953 e, no ano seguinte, nasce seu único filho, Goffredo da Silva Telles Neto. As Edições O Cruzeiro, do Rio de Janeiro, lançam Ciranda de pedra.
Seu livro de contos, Histórias do desencontro, é publicado pela editora José Olympio, do Rio de Janeiro, e é premiado pelo Instituto Nacional do Livro, em 1958.
Em 1960 separa-se de seu marido Goffredo e, no ano seguinte, começa a trabalhar como procuradora do Instituto de Previdência do Estado de São Paulo.
Dois anos depois lança, pela editora Martins, de São Paulo, seu segundo romance, Verão no aquário. Passa a viver com Paulo Emílio Salles Gomes e começa a escrever o romance As meninas, inspirado no momento político por que passa o país.
Em 1964 e 1965 são publicados seus livros de contos Histórias escolhidas eO jardim selvagem, respectivamente, pela editora Martins.
A convite do cineasta Paulo César Sarraceni e em parceria com Paulo Emílio Salles Gomes, em 1967, faz a adaptação para o cinema do romance D. Casmurro, de Machado de Assis. Esse trabalho foi publicado, em 1993, pela editora Siciliano, de São Paulo, sob o título de Capitu.
Seu livro de contos Antes do baile, publicado pela Bloch, do Rio de Janeiro, em 1970, recebe o Grande Prêmio Internacional Feminino para Estrangeiros, na França.
O lançamento, em 1973, pela José Olympio, de seu terceiro romance, As meninas, é um sucesso. A escritora arrebata todos os prêmios literários de importância no país: o Coelho Neto, da Academia Brasileira de Letras, o Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro e o de "Ficção" da Associação Paulista de Críticos de Arte.
Seminário de ratos, contos, é publicado em 1977 pela José Olympio e recebe o prêmio da categoria Pen Club do Brasil. Nesse ano participa da coletâneaMissa do Galo: variações sobre o mesmo tema, livro organizado por Osman Lins a partir do conto clássico de Machado de Assis. Integra o corpo de jurados do Concurso Unibanco de Literatura, ao lado dos escritores e críticos literários Otto Lara Resende, Ignácio de Loyola Brandão, João Antônio, Antônio Houaiss e Geraldo Galvão Ferraz.
Em setembro desse ano, falece Paulo Emílio Salles Gomes. A escritora assume, face ao ocorrido, a presidência da Cinemateca Brasileira, que Paulo Emílio ajudara a fundar.
Em 1978 a editora Cultura, de São Paulo, lança Filhos pródigos. Essa coletânea de contos seria republicada a partir de 1991 sob o título A estrutura da bolha de sabão. A TV Globo leva ao ar um Caso Especial baseado no conto "O jardim selvagem".
Sua editora no período de 1980 até 1997, a Nova Fronteira, do Rio de Janeiro publica A disciplina do amor. No ano seguinte lança Mistérios, uma coletânea de contos fantásticos. A TV Globo transmite a telenovela Ciranda de pedra, adaptada de seu romance.
Em 1982 é eleita para a cadeira 28 da Academia Paulista de Letras e, em 1985, por 32 votos a 7, é eleita, em 24 de outubro, para ocupar a cadeira 16 da Academia Brasileira de Letras, fundada por Gregório de Mattos, na vaga deixada por Pedro Calmon. Sua posse só ocorre em 12 de maio de 1987. Ainda em 1985 é agraciada com a medalha da Ordem do Rio Branco.
1989 é o ano de lançamento de seu romance As horas nuas. Recebe a Comenda Portuguesa Dom Infante Santo. Em 1990 seu filho, Goffredo Neto, realiza o documentário Narrarte, sobre a vida e a obra da mãe. Em 1991 aposenta-se como funcionária pública.
A Rede Globo de Televisão apresenta, em 1993, dentro da série Retratos de mulher, a adaptação da própria escritora do seu conto "O moço do saxofone", que faz parte do livro Antes do baile verde, num episódio denominado "Era uma vez Valdete".
Participa da Feira o Livro de Frankfurt, na Alemanha, em 1994, e lança, no ano seguinte, um novo livro de contos, A noite escura e mais eu, que ganhou os prêmios de Melhor livro de contos, concedido pela Biblioteca Nacional; Prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro e Prêmio APLUB de Literatura.
Em 1996 estréia o filme As meninas, de Emiliano Ribeiro, baseado em romance homônimo de Lygia. Em 1997 participa da série O escritor por ele mesmo, do Instituto Moreira Salles. A editora Rocco adquire os direitos de publicação de toda a obra passada e futura da escritora.
Em 1998, a convite do governo francês, participa do Salão do Livro da França.
Seu livro Invenção e Memória foi agraciado com o Prêmio Jabuti, na categoria ficção, em 2001. Recebe, também, o "Golfinho de Ouro" e o Grande Prêmio da Associação Paulista dos Críticos de Arte.
Agraciada, em março de 2001, com o título de Doutora Honoris Causa pela Universidade de Brasília (UnB).
Em 2005, recebe o Prêmio Camões, o mais importante da literatura em língua portuguesa.
OBRAS DA AUTORA
Individuais
Contos:
Porão e sobrado, 1938 Praia viva, 1944 O cacto vermelho, 1949 Histórias do desencontro, 1958 Histórias escolhidas, 1964 O jardim selvagem, 1965 Antes do baile verde, 1970 Seminário dos ratos, 1977 Filhos pródigos, 1978 (reeditado como A estrutura da bolha de sabão, 1991) A disciplina do amor, 1980 Mistérios, 1981 A noite escura e mais eu, 1995 Venha ver o por do sol Oito contos de amor Invenção e Memória, 2000 (Prêmio Jabuti) Durante aquele estranho chá: perdidos e achados, 2002 Meus contos preferidos, 2004 Histórias de mistério, 2004 Meus contos esquecidos, 2005
Romances:
Ciranda de pedra, 1954 Verão no aquário, 1963 As meninas, 1973 As horas nuas, 1989
CARACTERÍSTICAS DE SUAS OBRAS
Embora tenha estreado na década de 1940, foi apenas da década de 1970 queLygia Fagundes Tellesalcançou a plena maturidade de seus meios de expressão, com obras com os contos deAntes do baile verdee o romanceAs meninas, tornando-se um nome fundamental na ficção brasileira contemporânea.
Apresentada no início de sua carreira como adepta da ficção introspectiva, sofreu comparação inevitável com Clarice Lispector, de quem seria uma espécie de herdeira menor. Embora, de fato, a exemplo da autora de A hora da estrela, Lygia Fagundes Tellesrevelasse gosto pela análise psicológica e pela criação de personagens femininas, normalmente vistas a partir de narrativas em primeira pessoa, ela sempre demonstrou originalidade. Esta originalidade – intensificada nos anos 70 – resulta da síntese que a autora realiza entre uma arguta visão da interioridade feminina e a convincente construção de um mundo objetivo.
O CONTO
Exímia contista, Lygia trabalha tanto com o conto de atmosfera quanto com o conto anedótico de desfecho inesperado. Sua matéria-prima são crianças em situação de angústia existencial, pais e filhos em conflito e uma infinita galeria de mulheres de todas as idades, vivendo tensões amorosas, solidão e sofrimento. Geralmente, a escritora focaliza um momento particular na vida desses protagonistas, quando uma dramática percepção da realidade ou densas revelações subjetivas se impõem bruscamente à consciência, arrastando-os à dor e à lucidez.
Por vezes, os sentimentos humanos são desenhados com tamanha intensidade que os contos roçam no mórbido e no melodramático. Mas, geralmente,Lygia Fagundes Tellesconsegue escapar deste risco, produzindo um significativo número de belas histórias curtas, entre as quais se destacam:A confissão de Leontina, Natal na barca, Antes do baile verde, O menino e A estrutura da bolha de sabão.
O ROMANCE
Autora de dois romances medianos, mas ainda hoje legíveis,Ciranda de pedra e Verão no aquário, Lygia Fagundes Tellessurpreendeu o país com a publicação de As meninas, em 1973.
Entre tantas obras estruturalmente desordenadas surgidas no início dos anos 70, As meninas é aquela em que melhor se conciliam a refinada análise psicológica, a desintegração das formas realistas convencionais, a criação de um novo realismo, extremamente inovador, e a elaboração de um painel de época.
A idéia da autora foi a de apresentar a vida e as relações afetivas, sexuais e familiares de três jovens universitárias, internas em um pensionato de freiras na cidade de São Paulo, em fins da década de 1960, quando a ditadura militar fechava cada vez mais o torniquete repressivo sobre a sociedade brasileira. Apesar das diferenças de origem e posição social, de escala de valores e de qualificação intelectual,Lorena, LiaeAna Clarasão muito amigas, compartilhando suas angústias e projetos pessoais.
É fascinante como Lygia Fagundes Telles cria individualidades ricas e complexas e, simultaneamente, lhes dá representatividade histórico-social.Lorena, que faz Direito, descende de tradicional família paulistana e, diante do turbilhão de mudanças da realidade brasileira de então, isola-se em seu mundo interior, remoendo o passado e vivendo um amor totalmente fantasioso. Ana Clara, que é de origem humilde, estuda Psicologia e procura usar sua beleza como trampolim para alcançar um lugar ao sol na nova ordem capitalista. O preço que paga, no entanto, especialmente por seu passado infeliz, é muito alto: torna-se uma drogada. Finalmente,Lia(Lião), filha de pai alemão e mãe baiana, estuda Sociologia. É a “conscientizada” do grupo, milita na esquerda universitária e tem um namorado envolvido em ações políticas semiclandestinas.Liaexpressa claramente os setores da juventude de classe média que iriam encontrar na guerrilha uma alternativa de luta contra o regime autoritário.
Este universo ficcional mantém-se em pé graças a um ousado processo de técnica romanesca: as três jovem se alternam como narradoras da obra, valendo-se com muita freqüência de monólogos interiores e apresentando, cada qual, os seus dramas íntimos e a sua visão de mundo. Tal procedimento narrativo cria – no dizer um crítico – “um jogo de espelhos que retoma e repete (de outro ângulo) a realidade vivida” pelas personagens. Dos contínuos fluxos de consciência que estruturam a fisionomia moral e psicológica das três moças, destacamos o que inicia o romance. Quem narra éLorena, a jovem burguesa:
Sentei na cama. Era cedo para tomar banho. Tombei para trás, abracei o travesseiro e pensei em M.N., a melhor coisa do mundo não é beber água de coco e depois mijar no mar, o tio da Lião disse isso mas ele não sabe, a melhor coisa mesmo é ficar imaginando o que M.N. vai dizer e fazer quando cair meu último véu. O último véu! Escreveria Lião, ela fica sublime quando escreve, começou o romance dizendo que em dezembro a cidade cheira a pêssego. Imagine, pêssego. Dezembro é tempo de pêssego, está certo, às vezes a gente encontra carroças de frutas nas esquinas com o cheiro de pomar em redor mas concluir daí que a cidade inteira fica perfumada, já é sublimar demais. Dedicou a história a Guevara com um pensamento importantíssimo sobre a vida e a morte, tudo em latim. Imagine se entra latim no esquema guevariano.
NATAL NA BARCA
SOBRE A AUTORA
A CAÇADA
Antes do baile verde - Conto da obra, de Lygia Fagundes Telles
Análise da obra
Em Antes do baile verde, conto de Lygia Fagundes Telles, uma jovem se prepara animada para o grande baile a fantasia de sua cidade, em que todos devem comparecer vestidos com roupas verdes. No quarto ao lado, seu pai doente agoniza em seus últimos minutos de vida. A jovem, movida pela vontade egoísta de se divertir num simples baile ao invés de assumir a responsabilidade inconveniente de cuidar do pai, inventa a todo momento as maiores desculpas para si mesma.
A protagonista se divide entre o dever e a culpa para com ao pai moribundo e o desejo de se divertir livremente, até sua fuga desabalada rumo ao sonhado baile de carnaval.
Personagens:
Talisa - a patroa.
Lu - a empregada.
Raimundo - namorado de Talisa.
O pai da protagonista.
Tempo / Espaço
O tempo é cronológico, a ação se passa durante um dia de carnaval. O espaço é um apartamento.
Foco narrativo
Em terceira pessoa, narrador observador.
Traços estilísticos e temáticos
Lygia Fagundes Telles faz uma radiografia moral do egoísmo e da mesquinharia humana. De um lado, o pai enfermo, do outro, a filha que só pensa em si. Na incapacidade de assumir suas falhas, ela transfere a culpa a outros fatores. Percebe-se uma nítida preocupação em tentar se justificar de tudo não só para a empregada como também para si.
À proporção que a conversa entre as duas vai se desenvolvendo, dois sentimentos tomam conta de Tatisa: a angústia com o sentimento de culpa (relacionada ao pai) e o medo (voltado para a reação do namorado caso ela se atrasasse). Nota-se que a personagem prioriza o namorado ao pai.
De estilo simples e direto, com poucas descrições, no texto predominantemente o discurso direto, com predomínio do diálogo dos personagens diante do narrador (dos 128 parágrafos que compõem o conto, 92 são falas de personagens). O papel do narrador limita-se a guiar o andamento da cena. Não entrando em detalhes acerca dos fatos ocorridos. É um flash da vida humana retirado em um de seus momentos mais angustiantes. Esta angústia é passada ao leitor ao final do conto, quando este é deixado em aberto. Isto busca uma maior interatividade com o leitor, fazendo com que ele crie várias possibilidades de finais para a estória.
Enredo
Tudo acontece no apartamento de Tatisa, que juntamente com sua empregada, Lu, preparam-se para um Baile Verde de carnaval. Ambas estão apressadas, em especial Tatisa, preocupada em chegar atrasada ao encontro de seu namorado, Raimundo. Lu vai ajudando Tatisa a terminar sua fantasia.
É nessa situação que a empregada chama a atenção da jovem para a saúde de seu pai. Disse que esteve lá (no mesmo prédio); que o pai de Tatisa estava morrendo e que seria bom que ela fosse vê-lo. No decorrer da conversa, a garota deixa transparecer seu egoísmo em total indiferença ao pai. Transfere não só a culpa disso, mas também a responsabilidade para outrem (o médico e a própria empregada).
Depois, tenta convencer a empregada de ficar com o pai naquela noite. Esta reluta a idéia alegando que não perderá o desfile de carnaval por nada. Tatisa tenta se convencer de que está tudo bem, até escutarem um gemido agonizante próximo de quando saíam do apartamento. Dirigem-se para o apartamento de seu pai , primeiro a empregada, depois ela.
Auto da Barca do Inferno,Obra de Gil Vicente que consegue se mostrar contemporânea.
Não é á toa que o livro “Auto da Barca do Inferno” de Gil Vicente, um clássico da literatura seja obrigatório, ele retrata a sociedade portuguesa do século XVI e ao mesmo tempo possui temas atuais, com uma boa sátira a sociedade.
O Auto é uma peça teatral, divida em cenas e atos, escrita em 1517. O cenário desta obra é um porto onde se encontram duas barcas, uma leva ao inferno e a outra ao paraíso, uma guiada por um diabo e a outra por um anjo, e sendo da decisão deles quem entra ou não em suas barcas.
Chegada e julgamento das almas
O primeiro personagem é o fidalgo, representante da nobreza e do luxo, e que em vida foi tirano e vivia de luxúria. O diabo diz que aquela é sua barca e que ele deve entrar ali. Ele se recusa e diz que muitas pessoas rezam por ele. Ao pedir para entrar na barca do anjo que leva ao paraíso seu pedido é negado devido aos pecados que cometeu. Ele se dirige para a barca do inferno e tenta convencer o diabo a ver sua amada, porém o diabo revela que ela o enganava.
O próximo personagem é o Onzeneiro, uma espécie de agiota da época, ele tenta convencer o anjo a deixá-lo ir para o paraíso mais o pedido é negado pois ele foi ganancioso e avarento. Ele tenta subornar o diabo, e diz que quer voltar para pegar toda a sua riqueza acumulada, porém o pedido é negado e ele entra na barca do inferno.
Depois, vem Joane, chamado de Parvo, que significa umtolo e inocente, que vivia de forma simples. O diabo tenta enganá-lo para entrar na barca, mais quando ele descobre o destino corre para conversar com o anjo que por fim devido a sua humildade o autoriza a subir na barca.
A próxima alma a chegar é a do sapateiro, que chega com todos os seus instrumentos de trabalho. Ele se julga trabalhador e inocente, por isso pede ao anjo para deixá-lo ir ao paraíso, o pedido porém é negado já que ele roubou e enganou seus clientes. Ele então entra na barca do diabo.
O quinto a chegar é o frade, que segue em direção ao anjo convicto que por ser um membro da igreja ali é seu lugar. Mas ele chega com sua amante e é condenado pelo anjo por falso moralismo religioso, portanto deve ir para o inferno. Indignado ele segue seu destino. Brísida Vaz é a próxima, uma alcoviteira que chega até o anjo com o argumento de possuir seiscentos virgos postiços, que seriam hímens. Isso deixa a entender que prostituía meninas virgens. Ela é condenada por bruxaria e prostituição, e entra então na barca do diabo.
Em seguida chega o Judeu, de nome Semifará, acompanhado de um bode. Nem o anjo ou o diabo o quer em sua barca. Ele não pode chegar perto do anjo acusado de não aceitar o cristianismo, e então tenta convencer o diabo a levá-lo, que aceita com a condição que ele irá rebocado e não dentro da barca. Esta é uma crítica ao movimento que acontecia na época, em que muitos judeus foram expulsos de Portugal e os que ficaram deveriam se converter.
Por fim chegam os representantes da lei, um corregedor e um procurador, que aparecem com seus livros e processos nas mãos e tentam argumentar sua entrada no céu. Porém são impedidos e acusados por manipular a justiça para o bem próprio. Eles seguem para a barca do inferno, onde parecem já conhecer a alcoviteira.
Os últimos a chegarem são quatro cavaleiros que lutaram e morreram defendendo o cristianismo, por isso são perdoados de seus pecados e seguem para a barca do anjo. VALE ASSISTIR...
Gil Vicente mostra nesta obra os valores da época, fazendo uma sátira social e demonstrando que aqueles que acumulam e não pensam no bem e nas leis de Deus em vida, merecem o inferno como destino.
ANIMAÇÃO -O JULGAMENTO
Gil VicenteQuem foi Gil Vicente, nome completo, nascimento e morte, realizações, Literatura Portuguesa, obras, poeta português
Gil Vicente: importante dramaturgo e poeta português do século XVI
Nome Completo
Gil Vicente
Quem foi
Gil Vicente foi um poeta e dramaturgo português. É considerado, por muitos estudiosos, como o pioneiro do teatro português. Sua obra mais conhecida é " A farsa de Inês Pereira". Suas obras marcam a fase histórica da passagem da Idade Média para o Renascimento (século XVI).
Nascimento
Gil Vicente nasceu na cidade de Guimarães (Portugal) em 1466. * Local de nascimento e ano hipotético (mais prováveis de acordo com estudos recentes)
Morte
Gil Vicente morreu em 1536. Ano da morte hipotético (mais provável de acordo com estudos recentes)
O artigo de opinião, como o próprio nome já diz, é um texto em que o autor expõe seu posicionamento diante de algum tema atual e de interesse de muitos.
É um texto dissertativo que apresenta argumentos sobre o assunto abordado, portanto, o escritor além de expor seu ponto de vista, deve sustentá-lo através de informações coerentes e admissíveis.
Logo, as ideias defendidas no artigo de opinião são de total responsabilidade do autor, e, por este motivo, o mesmo deve ter cuidado com a veracidade dos elementos apresentados, além de assinar o texto no final.
Outros aspectos persuasivos são as orações no imperativo (seja, compre, ajude, favoreça, exija, etc.) e a utilização de conjunções que agem como elementos articuladores (e, mas, contudo, porém, entretanto, uma vez que, de forma que, etc.) e dão maior clareza às ideias.
Geralmente, é escrito em primeira pessoa, já que trata-se de um texto com marcas pessoais e, portanto, com indícios claros de subjetividade, porém, pode surgir em terceira pessoa.
O artigo de opinião é um gênero que tem como objetivo expressar o ponto de vista do autor sobre questões de ordem política, social, econômica, ou seja, assuntos que tenham alguma relevância para a sociedade e ajudem o leitor a compreender melhor o mundo do qual faz parte.
O artigo de opinião é um gênero formador de opinião.
Um artigo de opinião, como qualquer outro texto que se produza, deve ter uma introdução, um desenvolvimento e uma conclusão. Na introdução devemos dizer claramente do que trata o texto, para logo em seguida, em outro parágrafo, passar ao seu desenvolvimento. Por fim, a conclusão, que pode ser definitiva ou então levar o leitor a refletir e chegar as suas próprias conclusões.
ARTIGO DE OPINIÃO
A escola é o local onde circula a literatura
A leitura pode ter diversas funções na formação das pessoas. Vivemos numa sociedade da cultura letrada, ou seja, estamos cercados por palavras e textos escritos a todo o momento.
Por isso, inicialmente, temos uma necessidade social da leitura, que é aquela que nos aproxima da nossa sociedade, da maneira como o mundo contemporâneo está organizado.
Aqui a leitura está compreendida como todo texto escrito, toda palavra que circula, todo tipo de texto nas diferentes esferas – cotidianas, jornalísticas, escolares etc.
A literatura humaniza. Humanizar não quer dizer que as pessoas se tornam melhores ou piores, mas que conseguem tornarem-se mais humanos, ou seja, mais “colados” na humanidade.
As escolas e os professores no processo de formação de leitores têm um papel de extrema importância.
Para a maioria das crianças brasileiras, a escola é o local onde circula a literatura. Muitas famílias não têm hábito de ler coletivamente, de falar sobre livros, de socializar as leituras feitas, de frequentar livrarias e bibliotecas.
Os filhos imitam os pais com muita frequência, costumam refletir os hábitos familiares, daí que pais leitores são fundamentais na formação de filhos leitores.
O ambiente familiar faz muita diferença. Ler para os filhos desde bem pequenos, ter livros em casa, frequentar livrarias e bibliotecas, falar em literatura, ter momentos coletivos de leitura, ser modelo de bom leitor são dicas importantes.
Infelizmente muitos pais também não são leitores; daí a escola preencher a lacuna deixada pela família não leitora e ainda realizar a sua tarefa que é de aproximar os alunos do conhecimento acumulado pela humanidade, inclusive a literatura.
AS famílias também não sabem ler com fluência e essa é uma capacidade importante para ser bom leitor. Um leitor que não entende o que lê ou que demora demasiadamente para terminar uma página fatalmente se cansa e abandona a leitura.
À medida que tivermos famílias mais leitoras, evidentemente a situação melhorará, mas esse é um longo caminho, pois como já disse, trata-se ao final, da própria relação com o conhecimento.
A escola é um espaço privilegiado de conhecimento e a literatura não pode ser esquecida. Além disso, ela pode ter acervos variados com livros, mapas, periódicos, músicas, filmes que podem atender aos mais variados gostos e desejos dos alunos.
é um espaço coletivo que pode (e deve) propor debates, conversas, bate papos, aulas e exposições sobre leitura e literatura.
Todas essas atividades aproximam os alunos de uma das funções da literatura: que é de melhor compreender o mundo.
O mais importante é ler sempre e ler bem em todas as áreas do conhecimento. Até bem pouco tempo, acreditava-se que a tarefa de ler na escola era exclusividade da área de Língua Portuguesa e Literatura.
Felizmente essa ideia começa a se mostrar desgastada e atualmente professores de História, Geografia, Ciência, Artes e outras disciplinas buscam melhorar suas aulas com o auxílio de muita leitura.
Fazer leituras específicas em suas áreas e também “linkadas” com outras áreas que tornem o tema estudado mais amplamente compreendido é um grande avanço.
Segundo a última pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, Imprensa Oficial indica que o número de leitores no País aumenta à medida que cresce a escolaridade dos brasileiros.
No entanto, dos 4,7 livros lidos per capta/ano no país, 3,4 são indicados pela escola, ou seja, apenas 1,3 não têm essa origem.
É necessário ter mecanismos que aproximem os leitores dos livros via uma compra mais barateada, que depende de muitas mudanças no cenário financeiro.
Porém, os espaços públicos de leitura devem ser aproveitados e deve haver uma luta constante de melhoria e conservação desses espaços.
Por que não fazer projetos de leitura com operários, funcionários, trabalhadores em geral? A escola trabalha com as crianças e jovens, mas poucos projetos cuidam dos adultos.
São vários os projetos de distribuição de livros, de formação de agentes de leitura. Ainda precisamos de muito mais, porque o país é grande e as famílias não são leitoras em sua maioria.
Temos tido a aprovação de importantes leis, como a obrigação da existência de uma biblioteca por município, por exemplo.
(Texto pesquisado em blog de leitura)
DETALHE SOBRE O TEXTO
O caráter argumentativo desse gênero é evidenciado pelas justificativas que o autor utiliza para defender o seu ponto de vista. Como se trata da opinião de uma pessoa, os argumentos podem ser subjetivos, mas devem ser bem explicados para que o leitor compreenda o ponto de vista do autor do texto. Geralmente, quem procura ler um artigo de opinião nos jornais ou em revistas está interessado em análises críticas sobre uma determinada questão ou, em alguns casos, se identifica tanto com o autor do artigo quanto com o assunto discutido.
ADOLESCÊNCIA E ESCOLHA DA PROFISSÃO
Caioá Geraiges de Lemos
Hoje o adolescente preocupa-se principalmente em escolher uma profissão que “poderá trazer-lhe sucesso financeiro”
A escolha da profissão ainda é um dos grandes conflitos do final da adolescência No passado, a escolha da profissão praticamente era feita pela família, sempre dentro de um contexto tradicionalista, mais tarde observamos jovens mais contestadores, com profissões diferentes das de sua família, e muitos não atuaram em sua área de formação. Hoje o adolescente preocupa-se principalmente em escolher uma profissão que “poderá trazer-lhe sucesso financeiro”. Os conflitos mudam conforme o momento social?
Sim. De fato, estamos vivendo numa época em que a tradição perdeu sua força enquanto modo de organização da vida e da experiência das pessoas. Antigamente era a família que decidia que profissão o jovem deveria seguir, dentro de uma gama relativamente restrita de profissões consideradas “tradicionais”. Hoje as pessoas não se contentam simplesmente com uma identidade que seja “legada” ou “herdada” a partir dos valores familiares. Cada vez mais temos que decidir quem somos, como agimos, e até mesmo como parecemos aos outros. Essa diversidade de opções enquanto ao poder ser representa, por um lado, uma forma importante de liberdade, por outro lado, torna o processo de constituição da identidade adolescente muito mais complexo, já que o adolescente encontra-se em permanente reconstrução interna e precisa de referenciais, modelos através dos quais ele possa posicionar-se. O que observo é que os adolescentes vem sendo bombardeados por uma enorme oferta de modelos de identidade rápidos e descartáveis, que não oferecem um norte realmente claro. Isso acontece também na questão profissional onde muitas vezes eles acabam sendo “seduzidos” por profissões da moda ou mais exploradas pela mídia. Esses fatores, juntamente com o excesso de informação e as exigências que os adolescentes percebem à respeito do mundo do trabalho fazem com que o adolescente muitas vezes estabeleça critérios de escolha mais voltados para referenciais externos que para seus interesses, anseios e aspirações. Hoje em dia é comum escutar adolescentes que digam que querem uma profissão que dê dinheiro, não importa qual seja. Essa questão precisa portanto ser entendida sempre dentro do momento social que estamos atravessando.
A diversificação e aumento dos segmentos das profissões pioraram este quadro?
Conforme vinha explicando anteriormente, é uma questão complexa, pois, por um lado, o aumento dos segmentos de profissões aumenta as possibilidades de escolhas enquanto ao poder ser em termos profissionais, e isso representa uma forma de liberdade maior que nos tempos da família tradicional. Por outro lado, estamos vivendo na chamada “sociedade da informação” e percebo que, apesar de todo o conhecimento a que estão expostos, muitos adolescentes têm dúvidas sobre a escolha da profissão não pela falta de informação, mas justamente pelo excesso delas. Sem o suficiente conhecimento sobre si mesmo, seus interesses, aptidões, anseios, expectativas, etc, os adolescentes correm o risco de tomarem decisões baseados em critérios externos, optando por profissões que estão na moda, ou que dizem ter muito mercado de trabalho, ou que sejam mais lucrativas, etc. O problema portanto não é o aumento da oferta de profissões, mas a falta de autoconhecimentopara poder fazer um bom uso dessas novas possibilidades.
Em seu livro, “Adolescência e Escolha da Profissão” - editora Vetor, você traz a pesquisa de campo. A que profissionais está dirigido?
A todas as pessoas que convivem com adolescentes e se deparam com os conflitos relativos à escolha da profissão, ou seja, pais, educadores, psicólogos,psicopedagogos, orientadores profissionais, etc.
Qual o papel da escola na escolha da profissão?
É muito importante que a escola não se limite apenas em oferecer material informativo ao adolescente, mas que possa criar espaços de reflexão que favoreçam ao jovem pensar em suas opções profissionais, promovendo o debate entre colegas, pois, como sabemos, o adolescente funciona muito bem em grupo e os colegas podem oferecer parâmetros importantes para que ele se perceba e verifique seu grau de maturidade e mobilização diante de suas escolhas, se ele tem uma percepção correta do que as profissões que ele considera oferecem, se ele mais ou menos mobilizado para a escolha que seus colegas, como ele vem planejando o seu futuro, poder partilhar suas angústias com os demais, etc. Acredito que o material informativo deveria ser oferecido nesse contexto de discussões, dentro ou fora de aula, mas sempre privilegiando a troca de informações em grupo. Colocar um profissional especializado para realizar este tipo de trabalho é também bastante interessante. Observo que cada vez mais as escolas estão procurando esse tipo de serviço.
Qual o papel da família na escolha da profissão?
Através do estudo que realizei pude observar que muitos adolescentes sentem-se sozinhos e sem apoio na hora de escolher uma profissão, recebem uma enorme carga de informação e têm uma percepção de superexigência quanto ao mercado de trabalho, que precisarão ser muito competitivos, competentes e adquirir muitos conhecimentos em diversas áreas para conseguir uma inserção no mercado de trabalho. É certo que o mercado está mais competitivo e que o esforço exigido dos profissionais é maior, mas o que me preocupa é o sentimento de solidão que eles trazem, e a experiência de escolher uma profissão como algo apenas com aspectos negativos. Às vezes tenho a impressão de que esses adolescentes estão repetindo o discurso dos pais, que também estão assustados e preocupados quanto ao futuro dos filhos. E os adolescentes, além de estarem vivendo um momento de confusão e dúvidas, sentem que seus pais estão impossibilitados de ajudá-los. Alguns pais procuram interferir o menos possível, isentando-se de dar qualquer tipo de opinião, acreditando que com isso interferirão o menos possível na escolha dos filhos, outrospreocupam-se em ressaltar os aspectos das dificuldades do mercado de trabalho. Acredito que o melhor caminho seria que pais e filhos pudessem planejar juntos o futuro dos filhos e até mesmo decidir pela procura de um profissional da área de orientação profissional, se for o caso.
Como podemos ajudar o adolescente neste momento?
Favorecendo o diálogo com ele, auxiliando na descoberta do conhecimento de si mesmo, e refletindo sobre as possibilidades profissionais que ele tem em mente, enfim, planejando seu futuro junto com ele, para que o adolescente possa se dar conta de que apesar da escolha ser solitária, pois só ele poderá decidir sobre sua própria vida, existem pessoas ao seu redor dispostas a apoiá-lo e a incentivá-lo para que ele possa fazê-la da melhor forma possível.
Publicado em 16/06/2002
Caioá Geraiges de Lemos - Psicóloga Mestre e Doutoranda em Psicologia Escolar pelo Instituto de Psicologia da USP, Professora Supervisora da Disciplina de Orientação Profissional da UNISA, Autora do livro: Adolescência e Escolha da Profissão, Ed. Vetor, 2001
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