segunda-feira, 22 de setembro de 2014

LYGIA FAGUNDES TELLES



Nome:
Lygia Fagundes Telles
Nascimento:
19/04/1923
Natural:
São Paulo - SP

Lygia Fagundes Telles

(...) "Com a ponta da língua pude sentir a semente apontando
sob a polpa. Varei-a. O sumo ácido inundou-me a boca. Cuspi
a semente: assim  queria escrever, indo ao âmago do âmago
até atingir a semente resguardada lá no fundo como um feto".
(Verde lagarto amarelo)


Quarta filha do casal Durval de Azevedo Fagundes e Maria do Rosário Silva Jardim de Moura, nasce na capital paulista, em 19 de abril de 1923, Lygia de Azevedo Fagundes, na rua Barão de Tatuí. Seu pai, advogado, exerceu os cargos de delegado e promotor público em diversas cidades do interior paulista (Sertãozinho, Apiaí, Descalvado, Areias e Itatinga), razão porque a escritora passa seus primeiros anos da infância mudando-se constantemente. Acostuma-se a ouvir histórias contadas pelas pajens e por outras crianças. Em pouco tempo, começa a criar seus próprios contos e, em 1931, já alfabetizada, escreve nas últimas páginas de seus cadernos escolares as histórias que irá contar nas rodas domésticas. Como ocorreu com todos nós, as primeiras narrativas que ouviu falavam de temas aterrorizantes, com mulas-sem-cabeça, lobisomens e tempestades.
Seu pai gostava de freqüentar casas de jogos, levando Lygia consigo "para dar sorte". Diz a escritora: "Na roleta, gostava de jogar no verde. Eu, que jogo na palavra, sempre preferi o verde, ele está em toda a minha ficção. É a cor da esperança, que aprendi com meu pai."
Em 1936 seus pais se separam, mas não se desquitam.
Porão e sobrado é o primeiro livro de contos publicado pela autora, em 138, com a edição paga por seu pai. Assina apenas como Lygia Fagundes.
No ano seguinte termina o curso fundamental no Instituto de Educação Caetano de Campos, na capital paulista. Ingressa, em 1940, na Escola Superior de Educação Física, naquela cidade. Ao mesmo tempo, freqüenta o curso pré-jurídico, preparatório para a Faculdade de Direito do Largo do São Francisco.
Inicia o curso de Direito em 1941, freqüentando as rodas literárias que se reuniam em restaurantes, cafés e livrarias próximas à faculdade. Ali conhece Mário e Oswald de Andrade, Paulo Emílio Sales Gomes, entre outros, e integra a Academia de Letras da Faculdade e colabora com os jornais Arcádia A Balança. Para se sustentar, trabalha como assistente do Departamento Agrícola do Estado de São Paulo. Nesse ano conclui o curso de Educação Física.
Praia viva, sua segunda coletânea de contos, é editada em 1944 pela Martins, de São Paulo. O ano de 1945 marca o ano de falecimento de seu pai. Atenta aos acontecimentos políticos, Lygia participa, com colegas da Faculdade, de uma passeata contra o Estado Novo.
Terminado o curso de Direito, em 1946, só três anos depois a escritora publica, pela editora Mérito, seu terceiro livro de contos, O cacto vermelho. O volume recebe o Prêmio Afonso Arinos, da Academia Brasileira de Letras.
Casa-se com o jurista Goffredo da Silva Telles Jr., seu professor na Faculdade de Direito que, na ocasião,1950, era deputado federal. Muda-se, em virtude desse fato, para o Rio de Janeiro, onde funcionava a Câmara Federal.
Com seu retorno à capital paulista, em 1952, começa a escrever seu primeiro romance, Ciranda de pedra. Na fazenda Santo Antônio, em Araras - SP, de propriedade da avó de seu marido, para onde viaja constantemente, escreve várias partes desse romance. Essa fazenda ficou famosa na década de 20, pois lá reuniam-se os escritores e artistas que participaram do movimento modernista, tais como Mário e Oswald de Andrade, Tarsila do Amaral, Anita Mafaldi e Heitor Villa-Lobos.
Maria do Rosário, sua mãe, falece em 1953 e, no ano seguinte, nasce seu único filho, Goffredo da Silva Telles Neto. As Edições O Cruzeiro, do Rio de Janeiro, lançam Ciranda de pedra.
Seu livro de contos, Histórias do desencontro, é publicado pela editora José Olympio, do Rio de Janeiro, e é premiado pelo Instituto Nacional do Livro, em 1958.
Em 1960 separa-se de seu marido Goffredo e, no ano seguinte, começa a trabalhar como procuradora do Instituto de Previdência do Estado de São Paulo.
Dois anos depois lança, pela editora Martins, de São Paulo, seu segundo romance, Verão no aquário. Passa a viver com Paulo Emílio Salles Gomes e começa a escrever o romance As meninas, inspirado no momento político por que passa o país.
Em 1964 e 1965 são publicados seus livros de contos Histórias escolhidas eO jardim selvagem, respectivamente, pela editora Martins.
A convite do cineasta Paulo César Sarraceni e em parceria com Paulo Emílio Salles Gomes, em 1967, faz a adaptação para o cinema do romance D. Casmurro, de Machado de Assis. Esse trabalho foi publicado, em 1993, pela editora Siciliano, de São Paulo, sob o título de Capitu.
Seu livro de contos Antes do baile, publicado pela Bloch, do Rio de Janeiro, em 1970, recebe o Grande Prêmio Internacional Feminino para Estrangeiros, na França.
O lançamento, em 1973, pela José Olympio, de seu terceiro romance, As meninas, é um sucesso. A escritora arrebata todos os prêmios literários de importância no país: o Coelho Neto, da Academia Brasileira de Letras, o Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro e o de "Ficção" da Associação Paulista de Críticos de Arte.
Seminário de ratos, contos, é publicado em 1977 pela José Olympio e recebe o prêmio da categoria Pen Club do Brasil. Nesse ano participa da coletâneaMissa do Galo: variações sobre o mesmo tema, livro organizado por Osman Lins a partir do conto clássico de Machado de Assis. Integra o corpo de jurados do Concurso Unibanco de Literatura, ao lado dos escritores e críticos literários Otto Lara Resende, Ignácio de Loyola Brandão, João Antônio, Antônio Houaiss e Geraldo Galvão Ferraz.
Em setembro desse ano, falece Paulo Emílio Salles Gomes. A escritora assume, face ao ocorrido, a presidência da Cinemateca Brasileira, que Paulo Emílio ajudara a fundar.
Em 1978 a editora Cultura, de São Paulo, lança Filhos pródigos. Essa coletânea de contos seria republicada a partir de 1991 sob o título A estrutura da bolha de sabão. A TV Globo leva ao ar um Caso Especial baseado no conto  "O jardim selvagem".
Sua editora no período de 1980 até 1997, a Nova Fronteira, do Rio de Janeiro publica A disciplina do amor. No ano seguinte lança Mistérios, uma coletânea de contos fantásticos. A TV Globo transmite a telenovela Ciranda de pedra, adaptada de seu romance.
Em 1982 é eleita para a cadeira 28 da Academia Paulista de Letras e, em 1985, por 32 votos a 7, é eleita, em 24 de outubro, para ocupar a cadeira 16 da Academia Brasileira de Letras, fundada por Gregório de Mattos, na vaga deixada por Pedro Calmon. Sua posse só ocorre em 12 de maio de 1987. Ainda em 1985 é agraciada com a medalha da Ordem do Rio Branco.
1989 é o ano de lançamento de seu romance As horas nuas. Recebe a Comenda Portuguesa Dom Infante Santo. Em 1990 seu filho, Goffredo Neto, realiza o documentário Narrarte, sobre a vida e a obra da mãe. Em 1991 aposenta-se como funcionária pública.
A Rede Globo de Televisão apresenta, em 1993, dentro da série Retratos de mulher, a adaptação da própria escritora do seu conto "O moço do saxofone", que faz parte do livro Antes do baile verde, num episódio denominado "Era uma vez Valdete".
Participa da Feira o Livro de Frankfurt, na Alemanha, em 1994, e lança, no ano seguinte, um novo livro de contos, A noite escura e mais eu, que ganhou os prêmios de Melhor livro de contos, concedido pela Biblioteca Nacional; Prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro e Prêmio APLUB de Literatura.
Em 1996 estréia o filme As meninas, de Emiliano Ribeiro, baseado em romance homônimo de Lygia. Em 1997 participa da série O escritor por ele mesmo, do Instituto Moreira Salles. A editora Rocco adquire os direitos de publicação de toda a obra passada e futura da escritora.
Em 1998, a convite do governo francês, participa do Salão do Livro da França.
Seu livro Invenção e Memória foi agraciado com o Prêmio Jabuti, na categoria ficção, em 2001. Recebe, também, o "Golfinho de Ouro" e o Grande Prêmio da Associação Paulista dos Críticos de Arte.
Agraciada, em março de 2001, com o título de Doutora Honoris Causa pela Universidade de Brasília (UnB).

Em 2005, recebe o Prêmio Camões, o mais importante da literatura em língua portuguesa.
OBRAS DA AUTORA
Individuais
Contos:
Porão e sobrado, 1938
Praia viva, 1944
O cacto vermelho, 1949
Histórias do desencontro, 1958
Histórias escolhidas, 1964
O jardim selvagem, 1965
Antes do baile verde, 1970
Seminário dos ratos, 1977
Filhos pródigos, 1978 (reeditado como A estrutura da bolha de sabão, 1991)
A disciplina do amor, 1980
Mistérios, 1981
A noite escura e mais eu, 1995
Venha ver o por do sol
Oito contos de amor
Invenção e Memória, 2000 (Prêmio Jabuti)
Durante aquele estranho chá: perdidos e achados, 2002
Meus contos preferidos, 2004
Histórias de mistério, 2004
Meus contos esquecidos, 2005

Romances:
Ciranda de pedra, 1954
Verão no aquário, 1963
As meninas, 1973
As horas nuas, 1989






CARACTERÍSTICAS DE SUAS OBRAS






Embora tenha estreado na década de 1940, foi apenas da década de 1970 que Lygia Fagundes Telles alcançou a plena maturidade de seus meios de expressão, com obras com os contos de Antes do baile verde e o romance As meninas, tornando-se um nome fundamental na ficção brasileira contemporânea.


Apresentada no início de sua carreira como adepta da ficção introspectiva, sofreu comparação inevitável com Clarice Lispector, de quem seria uma espécie de herdeira menor. Embora, de fato, a exemplo da autora de A hora da estrelaLygia Fagundes Tellesrevelasse gosto pela análise psicológica e pela criação de personagens femininas, normalmente vistas a partir de narrativas em primeira pessoa, ela sempre demonstrou originalidade. Esta originalidade – intensificada nos anos 70 – resulta da síntese que a autora realiza entre uma arguta visão da interioridade feminina e a convincente construção de um mundo objetivo.

O CONTO


Exímia contista, Lygia trabalha tanto com o conto de atmosfera quanto com o conto anedótico de desfecho inesperado. Sua matéria-prima são crianças em situação de angústia existencial, pais e filhos em conflito e uma infinita galeria de mulheres de todas as idades, vivendo tensões amorosas, solidão e sofrimento. Geralmente, a escritora focaliza um momento particular na vida desses protagonistas, quando uma dramática percepção da realidade ou densas revelações subjetivas se impõem bruscamente à consciência, arrastando-os à dor e à lucidez. 

Por vezes, os sentimentos humanos são desenhados com tamanha intensidade que os contos roçam no mórbido e no melodramático. Mas, geralmente, Lygia Fagundes Telles consegue escapar deste risco, produzindo um significativo número de belas histórias curtas, entre as quais se destacam: A confissão de Leontina, Natal na barca, Antes do baile verde, O menino e A estrutura da bolha de sabão.



O ROMANCE
Autora de dois romances medianos, mas ainda hoje legíveis,Ciranda de pedra e Verão no aquárioLygia Fagundes Tellessurpreendeu o país com a publicação de As meninas, em 1973.
Entre tantas obras estruturalmente desordenadas surgidas no início dos anos 70, As meninas é aquela em que melhor se conciliam a refinada análise psicológica, a desintegração das formas realistas convencionais, a criação de um novo realismo, extremamente inovador, e a elaboração de um painel de época.




A idéia da autora foi a de apresentar a vida e as relações afetivas, sexuais e familiares de três jovens universitárias, internas em um pensionato de freiras na cidade de São Paulo, em fins da década de 1960, quando a ditadura militar fechava cada vez mais o torniquete repressivo sobre a sociedade brasileira. Apesar das diferenças de origem e posição social, de escala de valores e de qualificação intelectual, Lorena, Lia e Ana Clara são muito amigas, compartilhando suas angústias e projetos pessoais.

É fascinante como Lygia Fagundes Telles cria individualidades ricas e complexas e, simultaneamente, lhes dá representatividade histórico-social. Lorena, que faz Direito, descende de tradicional família paulistana e, diante do turbilhão de mudanças da realidade brasileira de então, isola-se em seu mundo interior, remoendo o passado e vivendo um amor totalmente fantasioso. Ana Clara, que é de origem humilde, estuda Psicologia e procura usar sua beleza como trampolim para alcançar um lugar ao sol na nova ordem capitalista. O preço que paga, no entanto, especialmente por seu passado infeliz, é muito alto: torna-se uma drogada. Finalmente, Lia(Lião), filha de pai alemão e mãe baiana, estuda Sociologia. É a “conscientizada” do grupo, milita na esquerda universitária e tem um namorado envolvido em ações políticas semiclandestinas. Liaexpressa claramente os setores da juventude de classe média que iriam encontrar na guerrilha uma alternativa de luta contra o regime autoritário. 

Este universo ficcional mantém-se em pé graças a um ousado processo de técnica romanesca: as três jovem se alternam como narradoras da obra, valendo-se com muita freqüência de monólogos interiores e apresentando, cada qual, os seus dramas íntimos e a sua visão de mundo. Tal procedimento narrativo cria – no dizer um crítico – “um jogo de espelhos que retoma e repete (de outro ângulo) a realidade vivida” pelas personagens. Dos contínuos fluxos de consciência que estruturam a fisionomia moral e psicológica das três moças, destacamos o que inicia o romance. Quem narra éLorena, a jovem burguesa:








Sentei na cama. Era cedo para tomar banho. Tombei para trás, abracei o travesseiro e pensei em M.N., a melhor coisa do mundo não é beber água de coco e depois mijar no mar, o tio da Lião disse isso mas ele não sabe, a melhor coisa mesmo é ficar imaginando o que M.N. vai dizer e fazer quando cair meu último véu. O último véu! Escreveria Lião, ela fica sublime quando escreve, começou o romance dizendo que em dezembro a cidade cheira a pêssego. Imagine, pêssego. Dezembro é tempo de pêssego, está certo, às vezes a gente encontra carroças de frutas nas esquinas com o cheiro de pomar em redor mas concluir daí que a cidade inteira fica perfumada, já é sublimar demais. Dedicou a história a Guevara com um pensamento importantíssimo sobre a vida e a morte, tudo em latim. Imagine se entra latim no esquema guevariano.

NATAL NA BARCA


                                     SOBRE A AUTORA













A CAÇADA


Antes do baile verde - Conto da obra, de Lygia Fagundes Telles


Análise da obra

Em Antes do baile verde, conto de Lygia Fagundes Telles, uma jovem se prepara animada para o grande baile a fantasia de sua cidade, em que todos devem comparecer vestidos com roupas verdes. No quarto ao lado, seu pai doente agoniza em seus últimos minutos de vida. A jovem, movida pela vontade egoísta de se divertir num simples baile ao invés de assumir a responsabilidade inconveniente de cuidar do pai, inventa a todo momento as maiores desculpas para si mesma.

A protagonista se divide entre o dever e a culpa para com ao pai moribundo e o desejo de se divertir livremente, até sua fuga desabalada rumo ao sonhado baile de carnaval.

Personagens:

Talisa - a patroa.

Lu - a empregada.

Raimundo - namorado de Talisa.

O pai da protagonista.

Tempo / Espaço

O tempo é cronológico, a ação se passa durante um dia de carnaval. O espaço é um apartamento.

Foco narrativo

Em terceira pessoa, narrador observador.

Traços estilísticos e temáticos

Lygia Fagundes Telles faz uma radiografia moral do egoísmo e da mesquinharia humana. De um lado, o pai enfermo, do outro, a filha que só pensa em si. Na incapacidade de assumir suas falhas, ela transfere a culpa a outros fatores. Percebe-se uma nítida preocupação em tentar se justificar de tudo não só para a empregada como também para si.

À proporção que a conversa entre as duas vai se desenvolvendo, dois sentimentos tomam conta de Tatisa: a angústia com o sentimento de culpa (relacionada ao pai) e o medo (voltado para a reação do namorado caso ela se atrasasse). Nota-se que a personagem prioriza o namorado ao pai.

De estilo simples e direto, com poucas descrições, no texto predominantemente o discurso direto, com predomínio do diálogo dos personagens diante do narrador (dos 128 parágrafos que compõem o conto, 92 são falas de personagens). O papel do narrador limita-se a guiar o andamento da cena. Não entrando em detalhes acerca dos fatos ocorridos. É um flash da vida humana retirado em um de seus momentos mais angustiantes. Esta angústia é passada ao leitor ao final do conto, quando este é deixado em aberto. Isto busca uma maior interatividade com o leitor, fazendo com que ele crie várias possibilidades de finais para a estória.

Enredo

Tudo acontece no apartamento de Tatisa, que juntamente com sua empregada, Lu, preparam-se para um Baile Verde de carnaval. Ambas estão apressadas, em especial Tatisa, preocupada em chegar atrasada ao encontro de seu namorado, Raimundo. Lu vai ajudando Tatisa a terminar sua fantasia.

É nessa situação que a empregada chama a atenção da jovem para a saúde de seu pai. Disse que esteve lá (no mesmo prédio); que o pai de Tatisa estava morrendo e que seria bom que ela fosse vê-lo. No decorrer da conversa, a garota deixa transparecer seu egoísmo em total indiferença ao pai. Transfere não só a culpa disso, mas também a responsabilidade para outrem (o médico e a própria empregada).

Depois, tenta convencer a empregada de ficar com o pai naquela noite. Esta reluta a idéia alegando que não perderá o desfile de carnaval por nada. Tatisa tenta se convencer de que está tudo bem, até escutarem um gemido agonizante próximo de quando saíam do apartamento. Dirigem-se para o apartamento de seu pai , primeiro a empregada, depois ela.

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

AUTO DA BARCA DO INFERNO - GIL VICENTE


Resumo do livro 

Auto da Barca do Inferno, Obra de Gil Vicente que consegue se mostrar contemporânea.
Não é á toa que o livro “Auto da Barca do Inferno” de Gil Vicente, um clássico da literatura seja obrigatório, ele retrata a sociedade portuguesa do século XVI e ao mesmo tempo possui temas atuais, com uma boa sátira a sociedade.
O Auto é uma peça teatral, divida em cenas e atos, escrita em 1517. O cenário desta obra é um porto onde se encontram duas barcas, uma leva ao inferno e a outra ao paraíso, uma guiada por um diabo e a outra por um anjo, e sendo da decisão deles quem entra ou não em suas barcas.

Chegada e julgamento das almas

O primeiro personagem é o fidalgo, representante da nobreza e do luxo, e que em vida foi tirano e vivia de luxúria. O diabo diz que aquela é sua barca e que ele deve entrar ali. Ele se recusa e diz que muitas pessoas rezam por ele. Ao pedir para entrar na barca do anjo que leva ao paraíso seu pedido é negado devido aos pecados que cometeu. Ele se dirige para a barca do inferno e tenta convencer o diabo a ver sua amada, porém o diabo revela que ela o enganava. 
O próximo personagem é o Onzeneiro, uma espécie de agiota da época, ele tenta convencer o anjo a deixá-lo ir para o paraíso mais o pedido é negado pois ele foi ganancioso e avarento. Ele tenta subornar o diabo, e diz que quer voltar para pegar toda a sua riqueza acumulada, porém o pedido é negado e ele entra na barca do inferno.
Livro Auto da Barca do Inferno
Depois, vem Joane, chamado de Parvo, que significa um tolo e inocente, que vivia de forma simples. O diabo tenta enganá-lo para entrar na barca, mais quando ele descobre o destino corre para conversar com o anjo que por fim devido a sua humildade o autoriza a subir na barca.  

A próxima alma a chegar é a do sapateiro, que chega com todos os seus instrumentos de trabalho. Ele se julga trabalhador e inocente, por isso pede ao anjo para deixá-lo ir ao paraíso, o pedido porém é negado já que ele roubou e enganou seus clientes. Ele então entra na barca do diabo. 
O quinto a chegar é o frade, que segue em direção ao anjo convicto que por ser um membro da igreja ali é seu lugar. Mas ele chega com sua amante e é condenado pelo anjo por falso moralismo religioso, portanto deve ir para o inferno. Indignado ele segue seu destino. Brísida Vaz é a próxima, uma alcoviteira que chega até o anjo com o argumento de possuir seiscentos virgos postiços, que seriam hímens. Isso deixa a entender que prostituía meninas virgens. Ela é condenada por bruxaria e prostituição, e entra então na barca do diabo.
Em seguida chega o Judeu, de nome Semifará, acompanhado de um bode. Nem o anjo ou o diabo o quer em sua barca. Ele não pode chegar perto do anjo acusado de não aceitar o cristianismo, e então tenta convencer o diabo a levá-lo, que aceita com a condição que ele irá rebocado e não dentro da barca. Esta é uma crítica ao movimento que acontecia na época, em que muitos judeus foram expulsos de Portugal e os que ficaram deveriam se converter.
Por fim chegam os representantes da lei, um corregedor e um procurador, que aparecem com seus livros e processos nas mãos e tentam argumentar sua entrada no céu. Porém são impedidos e acusados por manipular a justiça para o bem próprio. Eles seguem para a barca do inferno, onde parecem já conhecer a alcoviteira. 
Os últimos a chegarem são quatro cavaleiros que lutaram e morreram defendendo o cristianismo, por isso são perdoados de seus pecados e seguem para a barca do anjo.


VALE ASSISTIR...

Gil Vicente mostra nesta obra os valores da época, fazendo uma sátira social e demonstrando que aqueles que acumulam e não pensam no bem e nas leis de Deus em vida, merecem o inferno como destino.





ANIMAÇÃO -O JULGAMENTO
Gil VicenteQuem foi Gil Vicente, nome completo, nascimento e morte, realizações, Literatura Portuguesa, obras, poeta português

Gil Vicente: importante dramaturgo e poeta português do século XVI
Nome Completo 
Gil Vicente
Quem foi
Gil Vicente foi um poeta e dramaturgo português. É considerado, por muitos estudiosos, como o pioneiro do teatro português. Sua obra mais conhecida é " A farsa de Inês Pereira". Suas obras marcam a fase histórica da passagem da Idade Média para o Renascimento (século XVI).
Nascimento
Gil Vicente nasceu na cidade de Guimarães (Portugal) em 1466.
* Local de nascimento e ano hipotético (mais prováveis de acordo com estudos recentes)
Morte
Gil Vicente morreu em 1536.
Ano da morte hipotético (mais provável de acordo com estudos recentes)
Principais realizações
Escreveu peças de teatro e poemas.
Principais obras
Auto Pastoril Castelhano (1502)
- Auto da Visitação (1502)
- Auto dos Reis Magos (1503)
- Auto da Índia (1509)
Auto da Sibila Cassandra (1513)
Auto da Barca do Inferno (1516)
- Auto da Barca do Purgatório (1518)
- Auto da Barca da Glória (1519)
- Farsa de Inês Pereira (1523) 


domingo, 10 de agosto de 2014

ARTIGO DE OPINIÃO


ARTIGO DE OPINIÃO


O artigo de opinião, como o próprio nome já diz, é um texto em que o autor expõe seu posicionamento diante de algum tema atual e de interesse de muitos.

É um texto dissertativo que apresenta argumentos sobre o assunto abordado, portanto, o escritor além de expor seu ponto de vista, deve sustentá-lo através de informações coerentes e admissíveis.

Logo, as ideias defendidas no artigo de opinião são de total responsabilidade do autor, e, por este motivo, o mesmo deve ter cuidado com a veracidade dos elementos apresentados, além de assinar o texto no final.

Outros aspectos persuasivos são as orações no imperativo (seja, compre, ajude, favoreça, exija, etc.) e a utilização de conjunções que agem como elementos articuladores (e, mas, contudo, porém, entretanto, uma vez que, de forma que, etc.) e dão maior clareza às ideias.

Geralmente, é escrito em primeira pessoa, já que trata-se de um texto com marcas pessoais e, portanto, com indícios claros de subjetividade, porém, pode surgir em terceira pessoa.
O artigo de opinião é um gênero que tem como objetivo expressar o ponto de vista do autor sobre questões de ordem política, social, econômica, ou seja, assuntos que tenham alguma relevância para a sociedade e ajudem o leitor a compreender melhor o mundo do qual faz parte.



O artigo de opinião é um gênero formador de opinião.

Um artigo de opinião, como qualquer outro texto que se produza, deve ter uma introdução, um desenvolvimento e uma conclusão. Na introdução devemos dizer claramente do que trata o texto, para logo em seguida, em outro parágrafo, passar ao seu desenvolvimento. Por fim, a conclusão, que pode ser definitiva ou então levar o leitor a refletir e chegar as suas próprias conclusões.

ARTIGO DE OPINIÃO

A escola é o local onde circula a literatura



Book of nature
A leitura pode ter diversas funções na formação das pessoas. Vivemos numa sociedade da cultura letrada, ou seja, estamos cercados por palavras e textos escritos a todo o momento.


Por isso, inicialmente, temos uma necessidade social da leitura, que é aquela que nos aproxima da nossa sociedade, da maneira como o mundo contemporâneo está organizado.
Aqui a leitura está compreendida como todo texto escrito, toda palavra que circula, todo tipo de texto nas diferentes esferas – cotidianas, jornalísticas, escolares etc.
A literatura humaniza. Humanizar não quer dizer que as pessoas se tornam melhores ou piores, mas que conseguem tornarem-se mais humanos, ou seja, mais “colados” na humanidade.
As escolas e os professores no processo de formação de leitores têm um papel de extrema importância.
Para a maioria das crianças brasileiras, a escola é o local onde circula a literatura. Muitas famílias não têm hábito de ler coletivamente, de falar sobre livros, de socializar as leituras feitas, de frequentar livrarias e bibliotecas.
Os filhos imitam os pais com muita frequência, costumam refletir os hábitos familiares, daí que pais leitores são fundamentais na formação de filhos leitores.
O ambiente familiar faz muita diferença. Ler para os filhos desde bem pequenos, ter livros em casa, frequentar livrarias e bibliotecas, falar em literatura, ter momentos coletivos de leitura, ser modelo de bom leitor são dicas importantes.
Infelizmente muitos pais também não são leitores; daí a escola preencher a lacuna deixada pela família não leitora e ainda realizar a sua tarefa que é de aproximar os alunos do conhecimento acumulado pela humanidade, inclusive a literatura.
AS famílias também não sabem ler com fluência e essa é uma capacidade importante para ser bom leitor. Um leitor que não entende o que lê ou que demora demasiadamente para terminar uma página fatalmente se cansa e abandona a leitura.
À medida que tivermos famílias mais leitoras, evidentemente a situação melhorará, mas esse é um longo caminho, pois como já disse, trata-se ao final, da própria relação com o conhecimento.
A escola é um espaço privilegiado de conhecimento e a literatura não pode ser esquecida. Além disso, ela pode ter acervos variados com livros, mapas, periódicos, músicas, filmes que podem atender aos mais variados gostos e desejos dos alunos.
é um espaço coletivo que pode (e deve) propor debates, conversas, bate papos, aulas e exposições sobre leitura e literatura.
Todas essas atividades aproximam os alunos de uma das funções da literatura: que é de melhor compreender o mundo.
O mais importante é ler sempre e ler bem em todas as áreas do conhecimento. Até bem pouco tempo, acreditava-se que a tarefa de ler na escola era exclusividade da área de Língua Portuguesa e Literatura.
Felizmente essa ideia começa a se mostrar desgastada e atualmente professores de História, Geografia, Ciência, Artes e outras disciplinas buscam melhorar suas aulas com o auxílio de muita leitura.
Fazer leituras específicas em suas áreas e também “linkadas” com outras áreas que tornem o tema estudado mais amplamente compreendido é um grande avanço.
Segundo a última pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, Imprensa Oficial indica que o número de leitores no País aumenta à medida que cresce a escolaridade dos brasileiros.
No entanto, dos 4,7 livros lidos per capta/ano no país, 3,4 são indicados pela escola, ou seja, apenas 1,3 não têm essa origem.
É necessário ter mecanismos que aproximem os leitores dos livros via uma compra mais barateada, que depende de muitas mudanças no cenário financeiro.
Porém, os espaços públicos de leitura devem ser aproveitados e deve haver uma luta constante de melhoria e conservação desses espaços.
Por que não fazer projetos de leitura com operários, funcionários, trabalhadores em geral? A escola trabalha com as crianças e jovens, mas poucos projetos cuidam dos adultos.
São vários os projetos de distribuição de livros, de formação de agentes de leitura. Ainda precisamos de muito mais, porque o país é grande e as famílias não são leitoras em sua maioria.
Temos tido a aprovação de importantes leis, como a obrigação da existência de uma biblioteca por município, por exemplo.
(Texto pesquisado em blog de leitura)

DETALHE SOBRE O TEXTO


O caráter argumentativo desse gênero é evidenciado pelas justificativas que o autor utiliza para defender o seu ponto de vista. Como se trata da opinião de uma pessoa, os argumentos podem ser subjetivos, mas devem ser bem explicados para que o leitor compreenda o ponto de vista do autor do texto. Geralmente, quem procura ler um artigo de opinião nos jornais ou em revistas está interessado em análises críticas sobre uma determinada questão ou, em alguns casos, se identifica tanto com o autor do artigo quanto com o assunto discutido.





ADOLESCÊNCIA E ESCOLHA DA PROFISSÃO

Caioá Geraiges de Lemos

Hoje o adolescente preocupa-se principalmente em escolher uma profissão que “poderá trazer-lhe sucesso financeiro”

A escolha da profissão ainda é um dos grandes conflitos do final da adolescência No passado, a escolha da profissão praticamente era feita pela família, sempre dentro de um contexto tradicionalista, mais tarde observamos jovens mais contestadores, com profissões diferentes das de sua família, e muitos não atuaram em sua área de formação. Hoje o adolescente preocupa-se principalmente em escolher uma profissão que “poderá trazer-lhe sucesso financeiro”. Os conflitos mudam conforme o momento social?



Sim. De fato, estamos vivendo numa época em que a tradição perdeu sua força enquanto modo de organização da vida e da experiência das pessoas. Antigamente era a família que decidia que profissão o jovem deveria seguir, dentro de uma gama relativamente restrita de profissões consideradas “tradicionais”. Hoje as pessoas não se contentam simplesmente com uma identidade que seja “legada” ou “herdada” a partir dos valores familiares. Cada vez mais temos que decidir quem somos, como agimos, e até mesmo como parecemos aos outros. Essa diversidade de opções enquanto ao poder ser representa, por um lado, uma forma importante de liberdade, por outro lado, torna o processo de constituição da identidade adolescente muito mais complexo, já que o adolescente encontra-se em permanente reconstrução interna e precisa de referenciais, modelos através dos quais ele possa posicionar-se. O que observo é que os adolescentes vem sendo bombardeados por uma enorme oferta de modelos de identidade rápidos e descartáveis, que não oferecem um norte realmente claro. Isso acontece também na questão profissional onde muitas vezes eles acabam sendo “seduzidos” por profissões da moda ou mais exploradas pela mídia. Esses fatores, juntamente com o excesso de informação e as exigências que os adolescentes percebem à respeito do mundo do trabalho fazem com que o adolescente muitas vezes estabeleça critérios de escolha mais voltados para referenciais externos que para seus interesses, anseios e aspirações. Hoje em dia é comum escutar adolescentes que digam que querem uma profissão que dê dinheiro, não importa qual seja. Essa questão precisa portanto ser entendida sempre dentro do momento social que estamos atravessando.


                     


A diversificação e aumento dos segmentos das profissões pioraram este quadro?



Conforme vinha explicando anteriormente, é uma questão complexa, pois, por um lado, o aumento dos segmentos de profissões aumenta as possibilidades de escolhas enquanto ao poder ser em termos profissionais, e isso representa uma forma de liberdade maior que nos tempos da família tradicional. Por outro lado, estamos vivendo na chamada “sociedade da informação” e percebo que, apesar de todo o conhecimento a que estão expostos, muitos adolescentes têm dúvidas sobre a escolha da profissão não pela falta de informação, mas justamente pelo excesso delas. Sem o suficiente conhecimento sobre si mesmo, seus interesses, aptidões, anseios, expectativas, etc, os adolescentes correm o risco de tomarem decisões baseados em critérios externos, optando por profissões que estão na moda, ou que dizem ter muito mercado de trabalho, ou que sejam mais lucrativas, etc. O problema portanto não é o aumento da oferta de profissões, mas a falta de autoconhecimentopara poder fazer um bom uso dessas novas possibilidades.








Em seu livro, “Adolescência e Escolha da Profissão” - editora Vetor, você traz a pesquisa de campo. A que profissionais está dirigido?



A todas as pessoas que convivem com adolescentes e se deparam com os conflitos relativos à escolha da profissão, ou seja, pais, educadores, psicólogos,psicopedagogos, orientadores profissionais, etc.





Qual o papel da escola na escolha da profissão?



É muito importante que a escola não se limite apenas em oferecer material informativo ao adolescente, mas que possa criar espaços de reflexão que favoreçam ao jovem pensar em suas opções profissionais, promovendo o debate entre colegas, pois, como sabemos, o adolescente funciona muito bem em grupo e os colegas podem oferecer parâmetros importantes para que ele se perceba e verifique seu grau de maturidade e mobilização diante de suas escolhas, se ele tem uma percepção correta do que as profissões que ele considera oferecem, se ele mais ou menos mobilizado para a escolha que seus colegas, como ele vem planejando o seu futuro, poder partilhar suas angústias com os demais, etc. Acredito que o material informativo deveria ser oferecido nesse contexto de discussões, dentro ou fora de aula, mas sempre privilegiando a troca de informações em grupo. Colocar um profissional especializado para realizar este tipo de trabalho é também bastante interessante. Observo que cada vez mais as escolas estão procurando esse tipo de serviço. 


Qual o papel da família na escolha da profissão?



Através do estudo que realizei pude observar que muitos adolescentes sentem-se sozinhos e sem apoio na hora de escolher uma profissão, recebem uma enorme carga de informação e têm uma percepção de superexigência quanto ao mercado de trabalho, que precisarão ser muito competitivos, competentes e adquirir muitos conhecimentos em diversas áreas para conseguir uma inserção no mercado de trabalho. É certo que o mercado está mais competitivo e que o esforço exigido dos profissionais é maior, mas o que me preocupa é o sentimento de solidão que eles trazem, e a experiência de escolher uma profissão como algo apenas com aspectos negativos. Às vezes tenho a impressão de que esses adolescentes estão repetindo o discurso dos pais, que também estão assustados e preocupados quanto ao futuro dos filhos. E os adolescentes, além de estarem vivendo um momento de confusão e dúvidas, sentem que seus pais estão impossibilitados de ajudá-los. Alguns pais procuram interferir o menos possível, isentando-se de dar qualquer tipo de opinião, acreditando que com isso interferirão o menos possível na escolha dos filhos, outrospreocupam-se em ressaltar os aspectos das dificuldades do mercado de trabalho. Acredito que o melhor caminho seria que pais e filhos pudessem planejar juntos o futuro dos filhos e até mesmo decidir pela procura de um profissional da área de orientação profissional, se for o caso.


Como podemos ajudar o adolescente neste momento?



Favorecendo o diálogo com ele, auxiliando na descoberta do conhecimento de si mesmo, e refletindo sobre as possibilidades profissionais que ele tem em mente, enfim, planejando seu futuro junto com ele, para que o adolescente possa se dar conta de que apesar da escolha ser solitária, pois só ele poderá decidir sobre sua própria vida, existem pessoas ao seu redor dispostas a apoiá-lo e a incentivá-lo para que ele possa fazê-la da melhor forma possível.



Publicado em 16/06/2002

Caioá Geraiges de Lemos - Psicóloga Mestre e Doutoranda em Psicologia Escolar pelo Instituto de Psicologia da USP, Professora Supervisora da Disciplina de Orientação Profissional da UNISA, Autora do livro: Adolescência e Escolha da Profissão, Ed. Vetor, 2001









quarta-feira, 18 de junho de 2014

DÚVIDAS DE PORTUGUÊS?

DÚVIDAS? LEIA COM ATENÇÃO.

DÚVIDAS DE PORTUGUÊS? LEIA E ASSISTA COM ATENÇÃO...




VAMOS ESTUDAR 1º ANO...

Crase

Crase é a junção da preposição “a” com o artigo definido “a(s)”, ou ainda da preposição “a” com as iniciais dos pronomes demonstrativos aquela(s), aquele(s), aquilo ou com o pronome relativo a qual (as quais). Graficamente, a fusão das vogais “a” é representada por um acento grave, assinalado no sentido contrário ao acento agudo: à.

Como saber se devo empregar a crase? Uma dica é substituir a crase por “ao” e o substantivo feminino por um masculino, caso essa preposição seja aceita sem prejuízo de sentido, então com certeza há crase.

Veja alguns exemplos: Fui à farmácia, substituindo o “à” por “ao” ficaria Fui ao supermercado. Logo, o uso da crase está correto.

Outro exemplo: Assisti à peça que está em cartaz, substituindo o “à” por “ao” ficaria Assisti ao jogo de vôlei da seleção brasileira.

É importante lembrar dos casos em que a crase é empregada, obrigatoriamente: nas expressões que indicam horas ou nas locuções à medida que, às vezes, à noite, dentre outras, e ainda na expressão “à moda”.  Veja:

Exemplos: Sairei às duas horas da tarde.
À medida que o tempo passa, fico mais feliz por você estar no Brasil.
Quero uma pizza à moda italiana.

Importante: A crase não ocorre: antes de palavras masculinas; antes de verbos, de pronomes pessoais, de nomes de cidade que não utilizam o artigo feminino, da palavra casa quando tem significado do próprio lar, da palavra terra quando tem sentido de solo e de expressões com palavras repetidas (dia a dia).Por Sabrina Graduada em Letras

EU X MIM



                                                

Emprego dos Porquês


POR QUE

A forma por que é a sequência de uma preposição (por) e um pronome interrogativo (que). Equivale a "por qual razão", "por qual motivo":

Exemplos:Desejo saber por que você voltou tão tarde para casa.
Por que você comprou este casaco?
Há casos em que por que representa a sequência preposição + pronome relativo, equivalendo a "pelo qual" (ou alguma de suas flexões (pela qual, pelos quais, pelas quais).

Exemplos:Estes são os direitos por que estamos lutando.
O túnel por que passamos existe há muitos anos.

POR QUÊ

Caso surja no final de uma frase, imediatamente antes de um ponto (final, de interrogação, de exclamação) ou de reticências, a sequência deve ser grafada por quê, pois, devido à posição na frase, o monossílabo "que" passa a ser tônico.

Exemplos:Estudei bastante ontem à noite. Sabe por quê?
Será deselegante se você perguntar novamente por quê!


PORQUE

A forma porque é uma conjunção, equivalendo a pois, já que, uma vez que, como. Costuma ser utilizado em respostas, para explicação ou causa.

Exemplos:Vou ao supermercado porque não temos mais frutas.
Você veio até aqui porque não conseguiu telefonar?

PORQUÊ

A forma porquê representa um substantivo. Significa "causa", "razão", "motivo" e normalmente surge acompanhada de palavra determinante (artigo, por exemplo).

Exemplos:Não consigo entender o porquê de sua ausência.
Existem muitos porquês para justificar esta atitude.
Você não vai à festa? Diga-me ao menos um porquê.
Veja abaixo o quadro-resumo:


Forma Emprego Exemplos
Por que Em frases interrogativas (diretas e indiretas)

Em substituição à expressão "pelo qual" (e suas variações) Por que ele chorou? (interrogativa direta)
Digam-me por que ele chorou. (interrogativa indireta)

Os bairros por que passamos eram sujos.(por que = pelos quais)
Por quê No final de frases Eles estão revoltados por quê?
Ele não veio não sei por quê.
Porque Em frases afirmativas e em respostas Não fui à festa porque choveu.
Porquê Como substantivo Todos sabem o porquê de seu medo.


Por Que Não Eu?

LEONI



Quando ela cai no sofá
So far away
Vinho à beça na cabeça
Eu que sei..


Quando ela insiste em beijar
Seu travesseiro
Eu me viro do avesso
Eu vou dizer aquelas coisas
Mas na hora esqueço...


Por que não eu?
Ah! Ah!
Por que não eu?...(4x)


Eu encomendo um jantar
Só prá nós dois
Se não tem nada prá depois
Por que não eu?...


Você tá nessa, rejeitada
Caçando paixão
Eu com a cara mais lavada
Digo:
Por que não?...


Por que não eu?
Ah! Ah!
Por que não eu?...(8x)

MACHADO DE ASSIS

MACHADO DE ASSIS ( 1º ANO)

                                

BIOGRAFIA

JOAQUIM MARIA MACHADO DE ASSIS



                
Romancista, cronista, poeta e teatrólogo, Joaquim Maria Machado de Assis nasceu no Rio de Janeiro em 21 de junho de 1839, no morro do Livramento. A falta de recursos impediu que realizasse estudos regulares, frequentando apenas o primário numa escola em São Cristóvão. Aos 16 anos de idade se iniciou na vida literária, publicando ‘Ela’, um poema, na ‘Marmota Fluminense’, da qual se tornou colaborador regular. A partir daí, passou a escrever também para o ‘Diário do Rio de Janeiro’, a ‘Semana Ilustrada’ e outros. Em 1869, casou-se com Carolina Augusta Xavier de Novais. A carreira literária de Machado de Assis se firmou graças a seus contos e romances, dotados de uma aguda ironia e uma visão pessimista da existência. Suas obras, como ‘Helena’, ‘A Mão e a Luva’, ‘Esaú e Jacó’, ‘Dom Casmurro’ e ‘Memórias Póstumas de Brás Cubas’ tornaram-se marcos da literatura brasileira. Paralelamente à sua carreira literária, Machado de Assis ocupou diversos cargos enquanto funcionário público chegando, entre outras coisas, ao posto de Diretor-geral do Ministério da Viação. Foi também um dos fundadores e o primeiro presidente da Academia Brasileira de Letras, em 1896. Machado de Assis faleceu em 29 de setembro de 1908, no Rio de Janeiro, quase cego e muito doente, prostrado pela perda da esposa, que morreu em 1904.

Soneto "A Carolina" foi o último escrito por Machado de Assis; leia poema:
A CAROLINA                                            


Querida, ao pé do leito derradeiro







Em que descansas dessa longa vida,
Aqui venho e virei, pobre querida,
Trazer-te o coração do companheiro.

Pulsa-lhe aquele afeto verdadeiro
Que, a despeito de toda a humana lida,
Fez a nossa existência apetecida
E num recanto pôs um mundo inteiro.

Trago-te flores, - restos arrancados
Da terra que nos viu passar unidos
E ora mortos nos deixa e separados.

Que eu, se tenho nos olhos malferidos
Pensamentos de vida formulados,

São pensamentos idos e vividos.Machado de Assis


RESUMO


Em Os Melhores Contos de Machado de Assis, Domício Proença Filho seleciona contos de um dos maiores escritores brasileiros. Domício também escreveu o prefácio da obra, lançada em 1984. Confira resumos de alguns contos:

Teoria do Medalhão: É um diálogo entre pai e filho na noite em que este completa a maioridade. O pai aconselha o filho a mudar seus hábitos, deixar de lado seus gostos e opiniões a fim de se tornar um Medalhão, ou seja, uma pessoa de fama e riqueza. Na teoria do pai, para alcançar esse objetivo era preciso ser uma pessoa neutra diante dos acontecimentos, ter um vocabulário limitado, preferindo sempre a conversa e o humor simples, não a ironia. Deveria apenas parecer ser sábio, mas sem precisar ser. Depois de aconselhar, o pai pede para o filho ir dormir e pensar no que lhe disse.


O Alienista: O personagem Dr. Simão Bacamarte, o alienista, é um médico que, depois de frustrar-se com a falta de filhos em seu casamento, resolve dedicar-se ao estudo da neurologia; começa a investigar a falta de sanidade humana. Dr. Simão cria, então, a Casa Verde, no intuito de abrigar os loucos da região e de aprofundar seus estudos. No início seu ato foi bem visto, porém, com o tempo, ele passou a internar pessoas sem motivos aparentes, o que gerou uma rebelião popular. Porfírio, líder da rebelião, consegue tomar o poder, mas ao fim, resolve manter a Casa Verde. Ao perceber que a maior parte da cidade estava internada, o alienista resolve liberar os internos e rever sua teoria: se a maioria apresentava características de insanidade, então os “normais” é que estavam fora do padrão e deviam ser internados. Após algum tempo, revê novamente sua teria e conclui que ninguém tinha personalidade perfeita, somente ele. Decide se internar sozinho na Casa Verde para o resto da vida.


O Enfermeiro: Procópio é um enfermeiro que vai para uma cidade do interior cuidar de um velho rico e rabugento. No início, Procópio achou que estava com sorte, mas logo viu que seus dias não seriam fáceis tendo que aturar as ofensas verbais e até físicas do velho Felisberto. Chega a pedir as contas, mas o velho pede desculpas e o enfermeiro resolve ficar. As ofensas continuam e, numa certa noite, o enfermo joga uma vasilha na cabeça de Procópio, este, com os nervos a flor da pele, acaba matando o velho enforcado. O enfermeiro tinha fama de paciente e acaba ficando com a herança do velho. Diante da boa imagem que tinha na cidade, Procópio acaba esquecendo a sua culpa e fica com a herança sem grandes remorsos. A história é narrada pelo enfermeiro, já velho e a beira da morte.


A Cartomante: Rita é amante de Camilo, amigo de infância de seu marido Vilela. Insegura com essa situação e com medo de perder o amante, Rita resolve procurar uma cartomante e conta para Camilo, este zomba de sua inocência e diz não acreditar em previsões. A aproximação dos amantes se deu com a morte da mãe de Camilo, o casal se aproximou dele e Rita acabou se envolvendo amorosamente. Certo dia, Camilo recebe uma carta anônima dizendo que sabiam de seu romance secreto. Com isso, ele se afasta de Rita e esse é o principal motivo de sua insegurança.

Depois de um tempo afastado, Camilo recebe uma carta de Vilela pedindo para ir a sua casa com urgência. Camilo, então, decide visitar a cartomante da qual antes zombava. A cartomante acalmou Camilo, dizendo que nada aconteceria. Como havia “adivinhado” o seu susto, Camilo fica confiante e se convence de que não há nada a temer. Vai à casa de Vilela e antes que batesse na porta, o amigo lhe recebe alterado. Sem dizer nada, Vilela faz um gesto para Camilo segui-lo. Chegando à sala, Camilo dá um grito por ver Rita morta. Vilela o pega pela gola e também lhe mata com dois tiros. 


Missa do Galo: Nogueira vai estudar no Rio de janeiro e se hospeda na casa do escrivão Meneses, um parente distante. Meneses mantém um caso extraconjugal consentido por sua esposa, Conceição, uma mulher boa e pacata. Nogueira não retorna para Mangaratiba, sua terra natal, apesar de estar de férias porque quer assistir à missa do Galo na corte. Na noite da véspera de Natal, Meneses vai encontrar a amante e Nogueira fica acordado lendo e aguardando o horário para ir à missa com o vizinho. Conceição acorda e os dois começam a conversar, falam de assuntos variados, riem, se aproximam no intuito de falar mais baixo para não acordar D. Inácia, mãe de Conceição.Nessa noite, Conceição fica mais solta, mais falante e Nogueira fica encantado observando-a. O vizinho interrompe a conversa e Nogueira parte para a missa do galo. No ano seguinte, Nogueira fica sabendo da morte de Meneses e do casamento de Conceição com um escrevente. O conto é narrado por Nogueira já adulto, dizendo não saber explicar o que tinha acontecido naquela noite entre ele e Conceição.


CONTEXTO

Sobre o autor
Machado de Assis foi o principal nome do Realismo no Brasil, e sem dúvida um dos maiores autores de nossa literatura. Domício Proença Filho, organizador da coletânea, é professor e pesquisador de literatura, foi eleito para a Academia Brasileira de Letras em 2006, ocupando a cadeira número 28.


Importância do livro
Os Melhores Contos de Machado de Assis é uma antologia de narrativa curta selecionada por Domício Proença Filho e dividida em 29 contos. As narrativas de Machado giram em torno do cotidiano e das pequenas coisas. Sempre de forma irônica, que é uma marca do autor, faz uma análise do homem e da sociedade em que está inserido.

ANÁLISE

Machado de Assis tem como tema comum de seus contos o cotidiano e a vida das pessoas que habitavam o Rio de Janeiro no século XIX. É possível fazer uma análise daquela época através de sua narrativa, que através de simples histórias revelam os costumes, a forma de socialização, as relações de poder presentes naquela sociedade.
Além do retratar a sociedade, Machado consegue como poucos revelar a psique humana. Através da ironia, uma marca de seus textos, o autor é capaz de revelar o homem universal e não apenas um tipo específico. Consegue caracterizar tão profundamente as fraquezas do ser humano, que seus contos passam a ser universais, fazendo com que qualquer um possa se identificar.

No conto “Teoria do Medalhão”, Machado retrata a aniquilação do indivíduo em favor de uma imagem e posição social considerada privilegiada. O pai pretende realizar-se a partir do filho e lhe aconselha a se tornar um medalhão: alguém reconhecido, com prestígio social, mas que abre mão de seus gostos pessoais, de instruir-se. Em “O Alienista”, fica clara a análise psicológica e crítica que faz do homem e da sociedade. Ao criar um hospital para tratar a insanidade, o médico acaba internando a maior parte da cidade, concluindo que é loucura seria o padrão social.

Podemos verificar, em “A Cartomante”, a ironia de Machado ao construir um personagem que a princípio zomba da amante por ela ter superstições e acaba acreditando na cartomante; crença que provoca sua morte. O conto “Missa do galo” é um simples relato da noite de véspera de Natal de um adolescente, mas que revela muito da estrutura social da época: a traição consentida e a mulher limitada ao espaço da casa.

PERSONAGENS


- O filho (Teoria do medalhão): rapaz de 21 anos que recebe conselhos de seu pai para se tornar um medalhão na noite do seu aniversário. Passivo, aceita as imposições do pai.

- Dr. Simão Bacamarte (O Alienista): é o protagonista da estória. Sua vida era dedicada à Ciência. Representa a caricatura do despotismo cientificista (doutrina que considerava o conhecimento científico definitivo) do século XIX. Acabou se tornando vítima de suas próprias ideias, recolhendo-se à Casa Verde por se considerar são de Itaguaí.

- Procópio (O enfermeiro): é teólogo, mas já havia desenvolvido alguns trabalhos como auxiliar de enfermagem. Por isso aceita o trabalho de enfermeiro na cidade do interior. Tem boa índole e é muito atencioso. Porém, ao passar a trabalhar para um rabugento coronel da pequena cidade de Bom Sossego, Procópio vai perdendo sua paciência com os muitos maus tratos por parte do velho coronel doente e acaba mostrando-se violento.

- Rita (A cartomante): moça formosa e ingênua de trinta anos. Era insegura e supersticiosa. Ao consolar Camilo, amigo de seu marido, acaba se apaixonando e vivendo com ele um romance. Em vão, vai à cartomante com medo de perder o amante, é tranquilizada pela golpista e acaba sendo assassinada por seu marido, Vilela.

- Conceição (Missa do Galo): mulher de 30 anos, boa e pacata. Aceita as traições do marido sem fazer nada. Por isso, era considerada “santa” pelo narrador-personagem. É um típico exemplo de mulher machadiana e a fonte das perturbações do protagonista, o estudante Nogueira.

                     CONTO - CANTIGA DE ESPONSAIS

(Proposta de leitura e análise textual - 1º ano)

"Cantiga de Esponsais", de Machado de Assis, pede para que o leitor volte ao tempo, em 1813, e imagine a orquestra da igreja do Carmo sendo regida por Romão Pires, um velho de cabeça branca, bom músico e bom homem. Apesar de tudo isso, lhe falta o dom de compôr. Tem todas as harmonias dentro de si, mas não consegue colocá-las no papel.

Depois de casado, em 1779, Romão começa a compor para sua esposa, que vem a falecer alguns anos depois, impedindo o conto de ser finalizado. Quando doente, ele pega o canto guardado na gaveta e tenta acabar a obra. Tentando se concentrar, vê um casal pela janela e reproduz algumas notas, mas sem inspiração e impaciente, rasga o papel e o joga fora. Neste momento ele ouve a moça cantar para o marido, justamente com a nota musical que procurava. Um conto triste, mas muito bem estruturado. Vale a pena ser lido.



                     







ENREDO DE DOM CASMURRO


A seguir, para que se possa acompanhar melhor a análise a que vamos proceder neste trabalho, transcrevemos aqui o enredo elaborado por Marisa Lajolo, em "Literatura comentada", da Abril Editora:


Dom Casmurro foi publicado em 1900 e é um dos romance mais conhecidos de Machado. Narra em primeira pessoa a estória de Bentinho que, por circunstância várias, vai se fechando em si mesmo e passa a ser conhecido como Dom Casmurro. Sua estória é a seguinte: Órfão de pai, criado com desvelo pela mãe (D. Glória), protegido do mundo pelo círculo doméstico e familiar (tia Justina, tio Cosme, José Dias), Bentinho é destinado à vida sacerdotal, em cumprimento a uma antiga promessa de sua mãe.
A vida do seminário, no entanto, não o atrai, já o namoro com Capitu, filha dos vizinhos. Apesar de comprometido pela promessa, também D. Glóri a sofre com a idéia de separar-se do filho único, interno no seminário. Por expediente de José Dias, o agregado da família, Bentinho abandona o seminário e, em seu lugar, ordena-se um escravo.
Correm os anos e com eles o amor de Bentinho e Capitu. Entre o namoro e o casamento, Bentinho se forma em Direito e estreita a sua amizade com um ex-colega de seminário, Escobar, que acaba se casando com Sancha, amiga de Capitu.
Do casamento de Bentinho e Capitu nasce Ezequiel. Escobar morre e, durante seu enterro, Bentinho julga estranha a forma qual Capitu contempla o cadáver. A partir daí, os ciúmes vão aumentando e precipita-se a crise. Á medida que cresce, Ezequiel se torna cada vez mais parecido com Escobar. Bentinho muito ciumento, chega a planejar o assassinato da esposa e do filho, seguido pelo seu suicídio, mas não tem coragem. A tragédia dilui-se na separação do casal.
Capitu viaja com o filho para a Europa, onde morre anos depois. Ezequiel, já mocó, volta ao Brasil para visitar o pai, que apenas constata a semelhança entre e antigo colega de seminário. Ezequiel volta a viajar e morre no estrangeiro. Bentinho, cada vez mais fechado em usas dúvidas,  passa a ser chamado de casmurro pelos amigos e vizinhos e põe-se a escrever de sua vida (o romance).